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OUTUBRO ROSA: Estratégias de saúde e nutrição na prevenção do câncer de mama



Não poderia deixar em branco esse mês maravilhoso de campanha sobre a prevenção do câncer de mama, o famoso Outubro Rosa. Então vamos lá, falaremos um pouco sobre o que é o câncer, os principais fatores de risco, as principais formas de identificação e algumas estratégias nutricionais já evidenciadas pela ciência na prevenção e tratamento desse problema de saúde pública.

O câncer de mama é uma doença resultante da multiplicação de células anormais da mama, que forma um tumor com potencial de invadir outros órgãos (INCA, 2014). É o tipo de câncer mais incidente nas mulheres brasileiras, também pode ser desenvolvido em homens, mas em uma proporção bem inferior.

Existem alguns fatores de risco para o desenvolvimento dessa doença:

• 1° Fatores ambientais: Obesidade e Sobrepeso (principalmente após a menopausa); sedentarismo; consumo de bebidas alcoólicas e exposição frequente a radiações ionizantes (Raio-X).

• 2° Fatores hormonais: Menarca (1° mestruação) antes dos 12 anos; não ter tido filhos; primeira gravidez após os 30 anos; não ter amamentado; menopausa após os 55 anos; reposição hormonal após a menopausa principalmente por mais de cinco anos.

• 3° Fatores genéticos: Histórico de câncer de mama ou ovário em parentes, principalmente antes dos 50 anos; alterações genéticas (alguns estudos tem demostrado a presença de possíveis genes que contribuem para o desenvolvimento do câncer.

Existem alguns tipos de câncer que são assintomáticos, mas o de mama pode apresentar diversas alterações perceptíveis, entre elas: Caroço, geralmente indolor; pele da mama avermelhada, retraída ou parecida com casca de laranja; alterações no bico; pequenos nódulos na região em baixo do braço ou no pescoço e saída de líquidos anormais das mamas.

Os exames para o diagnóstico precoce são imprescindíveis e devem ser feitos regularmente. Existem três tipos principais:

1° Mamografia: É uma radiografia das mamas, realizada por um equipamento de raios X chamado mamógrafo, capaz de visualizar alterações suspeitas.

2° Exame clínico da mama: É a observação e palpação das mamas por um médico ou enfermeiro.

3° Auto-exame: Identificação de possíveis alterações; ninguém melhor que o   próprio indivídio para conhecer seu corpo, mas é importante lembrar que esse exame não descarta a necessidade de frequentemente realizar os outros tipos de exames e procurar o médico específico. A imagem abaixo mostra como pode ser feito o auto-exame.


Resultado de imagem para auto exame

De acordo com alguns estudos os fatores dietético, ou seja, a alimentação, representam 30% das causas de câncer, perdendo apenas em risco de desenvolvimento para o cigarro. 

Sendo assim, é importante uma atenção a alimentação na prevenção do câncer de mama, além de outros tipo de câncer e os demais problemas de saúde.

Tem-se estudado nos últimos tempos os chamados Alimentos funcionais, que de acordo com o Ministério da Saúde:

“São alimentos ou ingredientes que produzem efeitos benéficos à saúde, além de suas funções nutricionais básicas.”

Eles além de contribuir para nutrir o corpo, ajudam no combate e tratamento de doenças, veremos agora alguns deles relacionados ao câncer de mama:

• 1° Ômega 3: É um tipo de gordura poliinsaturada; presentes principalmente em peixes, óleos e oleaginosas. São convertidos em substâncias que inibem a proliferação celular, a metástase de tumores e melhora a função imune. Além de inibir a função do Ômega 6 que tem efeito cancerígeno.

• 2° Ácido linoleico conjugado (CLA): Tem efeito na prevenção e na progressão da doença; inibem o crescimento de células neoplásicas da mama; inibem a proliferação celular; melhora a função imune. Principais fontes: alimentos lácteos e carnes bovinas, também presente em menor quantidade em carne de aves e suína.   

• 3° Fibras: A presença de fitatos; atuam no controle da excreção do estrogênio (hormônio feminino). As principais fontes de fibras: vegetais, frutas e grãos integrais. Ainda se faz necessário mais estudos para o melhor entendimento do efeito das fibras no combate ao câncer de mama. 

• 4° Vitaminas e minerais: Tem se investigado principalmente as Vitaminas A, E, e C; quanto aos minerais: o folato e o selênio; defesa contra os radicais livres; inibição de células cancerígenas mamárias; função antioxidantes (combatem os radicais livres, que estão associados ao desenvolvimento do câncer e de outras doenças); impedem a diferenciação de células cancerígenas; 

• 5° Fitoquímicos: Os maiores representantes são as Isoflavonas e as lignanas; regulação da progressão, diferenciação e apoptose (“morte”) celular; controle da ativação do estrogênio; função antioxidantes. Principais fontes: soja e linhaça.

Uma alimentação saudável é fonte de todos esses componentes dos alimentos funcionais. 

Procure sempre adicionar em sua rotina alimentar, frutas, verduras, legumes, cereais integrais, grãos, tubérculos, carnes magras e leite e derivados. Evite alimentos gordurosos, frituras, enlatados, embutidos, industrializados de modo geral, fast food, sucos artificiais e refrigerantes. Lembre-se que a qualidade da sua alimentação faz toda diferença, não apenas na prevenção do câncer de mama, mas de muitas outras doenças.

A amamentação também se constitui um fator importante de prevenção contra o câncer de mama (3 a 24 meses), bem como o de ovário. Estudos sugerem que ele seja responsável por 2/3 da redução do câncer de mama. Enquanto maior o tempo de amamentação menor o risco de desenvolvimento de câncer de mama.  

Vale observar que o fato de ter um ou mais fatores de risco, não quer dizer que consequentemente você desenvolverá o câncer de mama. A prevenção tanto alimentar, quanto através dos exames de rotina fazem muita diferença. Também é importante entender que ao identificar algum sinal ou sintoma é necessário procurar orientação médica para o diagnóstico e tratamento, ou o descarte da possibilidade de câncer.

REFERÊNCIAS

• Thuler, L.C. Considerações sobre a prevenção do câncer feminino. Revista Brasileira de Cancerologia, 2003.

• Cartilha, Outubro Rosa. Instituto Nacional do Câncer (INCA), Ministério da Saúde, 2014.

• Antunes, L. S, et al. Amamentação natural como fonte de prevenção em saúde. Ciência e saúde coletiva, 2008.

• Universidade Federal de Santa Catarina. Alimentos Funcionais. Jornal Eletrônico n° 5. jun. 2008.

• Padilha, P.C, et al. O Papel dos Alimentos Funcionais na Prevenção e Controle do Câncer de Mama, Revista Brasileira de cancerologia, 2004.

• Rea, M.F. Os benefícios da amamentação para a saúde da mulher. Jornal de Pediatria. n° 5, 2004.

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